Portuguese poem
Clareia cinzenta a noite de chuva
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Clareia cinzenta a noite de chuva, Que o dia chegou. E o dia parece um traje de viúva Que já desbotou.
Ainda sem luz, salvo o claro do escuro, O céu chove aqui, E ainda é um além, ainda é um muro Ausente de si.
Não sei que tarefa terei este dia; Que é inútil já sei... E fito, de longe, minha alma, já fria Do que não farei.