Portuguese poem
Clearly non-Campos!
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Não sei qual é o sentimento, ainda inexpresso, Que subitamente, como uma sufocação, me aflige O coração que, de repente, Entre o que vive, se esquece. Não sei qual é o sentimento Que me desvia do caminho, Que me dá de repente Um nojo daquilo que seguia, Uma vontade de nunca chegar a casa, Um desejo de indefinido. Um desejo lúcido de indefinido.
Quatro vezes mudou a 'stação falsa No falso ano, no imutável curso Do tempo conseqüente; Ao verde segue o seco, e ao seco o verde, E não sabe ninguém qual é o primeiro, Nem o último, e acabam.