Portuguese poem
Corpos
by Fernando Pessoa (1888–1935)
O meu corpo é o abismo entre eu e eu. Se tudo é um sonho sob o sonho aberto
Do céu irreal, sonhar-te é possuir-te, E possuir-te é sonhar-te de mais perto
As almas sempre separadas, Os corpos são o sonho de uma ponte Sobre um abismo que nem margens tem
Eu porque me conheço, me separo De mim, e penso, e o pensamento é avaro
A hora passa. Mas meu sonho é meu.