Portuguese poem
Dorme, que a vida é nada
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Dorme, que a vida é nada! Dorme, que tudo é vão! Se alguém achou a estrada, Achou-a em confusão, Com a alma enganada.
Não há lugar nem dia Para quem quer achar, Nem paz nem alegria Para quem, por amar, Em quem ama confia.
Melhor entre onde os ramos Tecem dosséis sem ser Ficar como ficamos, Sem pensar nem querer. Dando o que nunca damos.