Portuguese poem
Fernando Infante de Portugal
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Deu-me Deus o seu gladio, porque eu faça A sua santa guerra. Sagrou-me seu em honra e em desgraça, Às horas em que um frio vento passa Por sobre a fria terra.
Poz-me as mãos sobre os hombros e doirou-me A fronte com o olhar; E esta febre de Além, que me consome, E este querer grandeza são seu nome Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gladio erguido dá Em minha face calma. Cheio de Deus, não temo o que virá, Pois, venha o que vier, nunca será Maior do que a minha alma.