Versos Portuguese Fernando Pessoa Na margem verde da estrada

Portuguese poem

Na margem verde da estrada

by (1888–1935)

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Na margem verde da estrada Os malmequeres são meus. Já trago a alma cansada — Não é de si… é de Deus.

Se Deus me quisesse dá-la Havia de achar maneira… A estrada de cá da vala Tem malmequeres à beira.

Se os quero, colho-os, e tenho Cuidado com os partir. Cada um que vejo e apanho Dá um estalinho ao sair.

São malmequeres aos molhos, Iguaizinhos para ver. E nem põe neles os olhos, Dá a mão pra os receber.

Não é esmola que envergonhe, Nem coisa dada sem mais. É pra que a menina os ponha Onde o peito faz sinais.

Tirei-os do campo ao lado Para a menina os trazer... E nem me mostra o agrado De um olhar para me ver…

É assim a minha sina. Tirei-os de onde iam bem, Só para os dar à menina — E agradeceu-me a ninguém.