Portuguese poem
Não consentem os deuses mais que a vida
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Não consentem os deuses mais que a vida. Por isso, Lídia, duradouramente Façamos-lhe a vontade Ao sol e entre flores. Camaleões pousados na Natura Tomemos sua calma e alegria Por cor da nossa vida Por um jeito do corpo. Como vidros às luzes transparentes E deixando cair a chuva triste; Só mornos ao sol quente; E reflectindo um pouco.
17-7-1914