Portuguese poem
Que noite serena!
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Que noite serena! Que lindo luar! Que linda barquinha Bailando no mar!
Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge... O terceiro andar das tias, o sossego de outrora, Sossego de várias espécies, A infância sem futuro pensado, O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas, E tudo bom e a horas, De um bem e de um a horas próprio, hoje morto.
Meu Deus, que fiz eu da vida?
Que noite serena, etc.
Quem é que cantava isso? Isso estava lá. Lembro-me mas esqueço. E dói, dói, dói...
Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.