Portuguese poem
Saudade dada
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Em horas inda louras, lindas Clorindas e Belindas, brandas, Brincam no tempo das berlindas, As vindas vendo das varandas. De onde ouvem vir a rir as vindas Fitam a fio as frias bandas.
Mas em torno à tarde se entorna A atordoar o ar que arde Que a eterna tarde já não torna! E em tom de atoarda todo o alarde Do adornado ardor transtorna No ar de torpor da tarda tarde.
E há nevoentos desencantos Dos encantos dos pensamentos Nos santos lentos dos recantos Dos bentos cantos dos conventos... Prantos de intentos, lentos, tantos Que encantam os atentos ventos.