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Portuguese poem

Mistério

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Gosto de ti, ó chuva, nos beirados, Dizendo coisas que ninguém entende! Da tua cantilena se desprende Um sonho de magia e de pecados,

Dos teus pálidos dedos delicados Uma alada canção palpita e ascende, Frases que a nossa bôca não aprende, Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio, Fazes passar o lúgubre arrepio Das sensações estranhas, dolorosas...

Talvez um dia entenda o teu mistério... Quando, inerte, na paz do cemitério, O meu corpo matar a fome às rosas!