Portuguese poem
Odio?
Á Aurora Aboim
Odio por ele? Não... Se o amei tanto, Se tanto bem lhe quiz no meu passado, Se o encontrei depois de o ter sonhado, Se á vida assim roubei todo o encanto...
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto Turva o meu triste olhar, marmorisado, Olhar de monja, trágico, gelado Como um soturno e enorme Campo Santo!
Ah! nunca mais amá-lo é já bastante! Quero senti-lo d'outra, bem distante, Como se fôra meu, calma e serena!
Odio seria em mim saudade infinda, Mágua de o ter perdido, amôr ainda. Odio por ele? Não... não vale a pêna...