Portuguese poem
Outonal
Caem as fôlhas mortas sôbre o lago: Na penumbra outonal, não sei quem tece As rendas do silêncio... Olha, anoitece! —Brumas longínquas do País do Vago...
Veludos a ondear... Mistério mago... Encantamento... A hora que não esquece, A luz que a pouco e pouco desfalece, Que lança em mim a bênção dum afago...
Outono dos crepúsculos doirados, De púrpuras, damascos e brocados! —Vestes a terra inteira de esplendor!
Outono das tardinhas silenciosas, Das magníficas noites voluptuosas Em que eu soluço a delirar de amor...