Portuguese poem
Panteísmo
Tarde de brasa a arder, sol de verão Cingindo, voluptuoso, o horizonte... Sinto-me luz e côr, ritmo e clarão Dum verso triunfal de Anacreonte!
Vejo-me asa no ar, erva no chão, Oiço-me gota de água a rir, na fonte, E a curva altiva e dura do Marão É o meu corpo transformado em monte!
E de bruços na terra penso e cismo Que, neste meu ardente panteísmo, Nos meus sentidos postos e absortos,
Nas coisas luminosas dêste mundo, A minha Alma é o túmulo profundo Onde dormem, sorrindo, os deuses mortos!