Portuguese poem
Página 142, linha 10
Eu queria mais altas as estrêlas, Mais largo o espaço, o sol mais criador, Mais refulgente a lua, o mar maior, Mais cavadas as ondas e mais belas;
Mais amplas, mais rasgadas as janelas Das almas, mais rosais a abrir em flor, Mais montanhas, mais asas de condor, Mais sangue sôbre a cruz das caravelas!
E abrir os braços e viver a vida, —Quanto mais funda e lúgubre a descida Mais alta é a ladeira que não cansa!
E, acabada a tarefa... em paz, contente, Um dia adormecer, serenamente, Como dorme no berço uma criança!
Outubro, 1930.