Portuguese poem
O Defeito de Família
by França Júnior (1838–1890)
Infeliz da mulher que acredita Na constância do sexo barbado, Quando menos o espera é traída Por um fútil pretexto estudado.
Há um meio, entretanto, infalível, De curvá-lo ante o nosso poder, É primar a mulher pelo agrado. Quem lhe agrada há de sempre vencer.
Gertrudes (Canta) -
Esse noivo que a sorte te deu É dos homens, por certo, exceção; Não o hás de prender com tolices. Mas com os dotes do teu coração.
De ter alamões em casa, Ninguém deve se queixar; Pois é gente papafina. Para uma casa guardar
Quem quiser ter o sossego E a paz no coração, Lá da terra das bengalas Mande vir um alamão.
Que ventura, que prazer! Nada tenho a desejar; Estou servido de criado, E a filha vou casar.
E vivam os alamões! (Gritando para dentro) Xubregas? Rupretes? Ó Monsiú?
Isto assim não esta ponito. Eu não bosso aqui fifer. Vai me embora b'ra Bedrobolis. Cerfexa e queixo facer.
O zoldado não está mau, Mas menina está xirando Com garinha de inocente, Bobre noifo anda enganando.
A sempre-viva que me deste, ó bela, Oh! sempre viva me será na mente, Nas pétalas d'ouro que esta flor ostenta, Leio o protesto de um amor ardente.
Se a flor mimosa desbotar não pode, Mesmo dos anos ao poder nefando, Ao seio unida, viverei com ela, Beijando as pétalas morrerei te amando.
Amor tão puro, como eu sonho, arcanjo, Vejo exalar-se desta flor divina, Oh! seja embora meu amor um crime, Hei de adorar-te como a flor me ensina.
A sempre-viva que me deste, ó bela, Oh! sempre viva me será na mente, Nas pétalas d'ouro que esta flor ostenta, Leio o protesto de um amor ardente.
Por amor de uma menina, Estou metido em boa cama, Se me livro da esparrela Não caio noutra trama.
Quando entro aqui à noite, Perco a fala fico mudo, Sinto câimbras pelas pernas, Sinto frio, sinto tudo.
Linda e pura como um anjo Julguei-te nos sonhos meus, Quebraram-se os teus encantos Serena imagem de Deus.
Dos jardins da minha vida Foste a rosa sedutora: Já não vives neste peito Mulher falsa e traidora.
Josefina (Canta) - Enganá-lo já não posso, Para sempre estou perdida, Quebraram-se os seus encantos, E a ilusão de minha vida.
Josefina (Canta) - Meus senhores e senhoras, Quero dar-lhes um lembrete, Não propalem por aí...
Todos (Menos Ruprecht) - Silêncio! Scio ! Atenção! Por favor bico calado, Que um defeito de família Não deve ser revelado.