Versos Portuguese Francisco Muniz Barreto O Snr. Francisco Moniz Barretto á auctora

Portuguese poem

O Snr. Francisco Moniz Barretto á auctora

by (1804–1868)

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Do sol no disco, que mais luz derrama, Um nome á fama recommenda o céu; Nome, que a noite, mais gentil, revéla Em cada estrella, que lhe borda o véu.

«Adelia!» dizem os celestes hymnos, Os dôces trinos do plumoso Orphêu; D'aura murmura o perfumado bafo — «Adelia!..» o Sapho um brado eterno deu.

Honra, bahianos, do Parnaso á rosa, Que esta endeósa região christã! Bardos! a hora da homenagem sôa: Uma coròa — á nossa illustre irmã!

′N ella — eis cumprido o qu'eu predisse outr'ora, Quando 1i aurora de sua idade a ouvi... Lá—dos romeiros do Senhor—na estancia, Quanta fragrancia em seu poetar senti!

Fulge-lhe o estro, que a modestia esconde, Quando responde ao portuguez Cantor:

Quem não inveja, na linguagem sua, A nossa lua a nos fallar de amor?!

Os lindos olhos de Angelina bella, Nas phrases d’ella, inda mais lindos são... É, para as almas, sua lyra rara Magica vara d’immortal condão.

Lagrimas a sua arpa arranca, De Pedra-branca lamentando o fim... Gloria ao poéta, que tivera a sina — De voz divina p’ra canta!-o assim!

Contra a britana prepotencia ousada, O pléctro, irada, vem, por fim, brandir: ’N esse hymno, em prol de sua livre terra, Clarim de guerra nos parece ouvir!

É o adêjo de seu genio immenso — Queimado incenso, que se eleva a Deus: Por Elle ungidos — os seus labios santos Vertem, nos cantos, todo o mel dos ceus.

De poetisa á rescendente palma Une a de um′alma, como poucas tem;

De mãe, d′esposa, em vivo amor accêsa, De uma purêza dos vergeis do Edên.

Honra, bahianos, do Parnaso á rosa, Que esta endeósa região christã! Bardos! a hora da homenagem sôa: Uma corôa — á nossa illustre irmã!