Versos Portuguese Francisco Otaviano À M.S.G.

Portuguese poem

À M.S.G.

by (1825–1889)

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Beijar o nácar, que te acende os lábios, seria para mim prazer divino; mas eu desprezo os risos da fortuna, que podem profanar o meu destino.

Feliz de mim se repousasse um pouco sobre o teu níveo seio que palpita: mas fere a maldição os meus desejos, a paz voara e te deixara aflita.

Em silêncio nasceu, cresce em silêncio, este amor infinito, único, eterno. Irei agora, abrindo-te minha alma, exilar-te do céu, abrir-te o inferno?

Não, oh meu anjo, além escuto o eco da maldição da nossa sociedade; ouvi-lo, sem corar, não poderias, expire pois a nossa felicidade.

Qu'importa o fogo que em meu peito lavra, qu'mporta a febre que me rói a vida, se a tua correrá serena e pura, de prazeres somente entretecida?

Roubar teu coração à paz dos anjos, e nele despargir os meus amores, oh! fora um crime, um sacrilégio horrível; para puni-lo não houveram dores.

E, pois, para livrar-te ao precipício, adeus, meu anjo, fugitivo corro: rocem embora os teus, os lábios d'outrem, será breve o penar, porque já morro.

Sim, agonizarei talvez bem pouco, porque meus dias 'stão pedindo graça, oh! para possuir-te, afrontaria infâmias, porém não tua desgraça.

Ao menos ficarás de um crime isenta, o porvir para ti será de flores; qu'importa que minha alma se torture, se tu não sofrerás por meus amores?