Portuguese poem
Minha vyda
by Garcia de Resende (1470–1536)
Vylançete de garçia de rresende a que tambem fez o som.
Minha vyda, poys esperança nam tem, nam na deseje ninguem.
Se souberam meus olhos, quando vos vyram, o mal c'avya de sser, nam poderam consentyr, nem conssentyram, ver-m'assy loguo perder. Padeçer he meu e nam de ninguem, sem desejar nenhum bem.
Quem quiser nam ser mal-aventurado, nem ter sempre triste vyda, ha mester, como se vyr com cuydado, que lhe de loguo sahyda. que perdida he a vyda que o tem sem esperar nenhum bem.
Dyguo isto porque loguo momento perdy toda a esperança, tenho vysto perder muyto em pouco tempo e ganhar desconfiança. hoo lembrança! nam me vos tyre ninguem, que jaa nom quer'outro bem.
Cabo.
Porque sey que tudo ha d'acabar contrayro do que s'espera. bradarey que se goardem d'esperar, porqu'esperar desespera. Se me dera este conselho alguem quyçaa me goardara bem.