Portuguese poem
Que me Pedes
Tu pedes-me um canto na lyra de amores, Um canto singelo de meigo trovar?! Um canto fagueiro já — triste — não póde Na lyra do triste fazer-se escutar.
Outr’ora, coberto meu leito de flores, Um canto singelo já soube trovar; Mas hoje na lyra, que o pranto humedece, As notas d’outr’ora não posso encontrar!
Outr’ora os ardores que eu tinha no peito Em cantos singelos podia trovar; Mas hoje, soffrendo, como heide sorrir-me, Mas hoje, trahido, como heide cantar?
Não peças ao bardo, que afflicto suspira, Uns cantos alegres de meigo trovar; Á lyra quebrada só restão gemidos, Ao bardo trahido só resta chorar.