Portuguese poem
Ii
by Guilherme Avelino Chave de Azevedo
Eu vi passar, além, vogando sobre os mares O cadaver d'Ophelia: a espuma da voragem E as algas naturaes, serviam de roupagem Á triste apparição das noites seculares!
Seguia tristemente ás regiões polares Nos limos das marés; e a rija cartilagem Sustinha-lhe tremendo aos halitos da aragem, No peito carcomido, uns grandes nenuphares!
Oh! lembro-me que tu, minha alma, em certos dias Sorriste já, tambem, nas vagas harmonias Das cousas ideaes! mas hoje á luz mortiça
Dos astros, caminhando; apenas as ruinas Das tuas creações fantasticas, divinas, De pasto vão servindo aos lyrios da justiça!