Versos Portuguese João de Lemos A Madrugada

Portuguese poem

A Madrugada

by (1819–1890)

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Ei-la trajando verdores, A linda mãe dos amores. Com seus volateis cantores Pelos campos a folgar; Ei-la folgando na mata, Que nas aguas se retrata, Nas aguas de liza prata, Na prata do lizo mar.

Salve, rainha formosa, Festeja-te o lyrio, a rosa, Dos jardins a mariposa, Do trovador a canção; Festeja-te a pastorinha, Que nas cores te adivinha Um pensamento, que tinha, Que tinha no coração.

D’aldêa o sino te chama, E o moço, que deixa a cama Porque vae ver a quem ama Ao pé da encosta d’alem; Suspiram-te sempre os montes, Abraçam-te os horizontes, Choram-te rios e fontes, Nas fontes d’amor que teem.

Bemdiz-te o velho, e ensina Á neta, que é pequenina, Rezas sanctas da divina Crença, que tem no Senhor; Bemdiz-te o armento balando, Do tumilho o cheiro brando, E o pegureiro cantando, Cantando magoas d’amor.

Vem, ó linda madrugada, Vem de violetas c’roada, Pelas brizas embalada, Vem nestes campos folgar; Folga nos céus e na mata, Que nas aguas se retrata, Nas aguas de lisa prata, Na prata do liso mar.