Versos Portuguese João Simões Lopes Neto A salamanca do Jarau

Portuguese poem

A salamanca do Jarau

by (1865–1916)

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“Meu bonito boi barroso, Que eu já contava perdido, Deixando o rastro na areia Foi logo reconhecido.

Montei no cavalo escuro E trabalhei logo de espora; E gritei — aperta, gente, Que o meu boi se vai embora! —

No cruzar uma picada, Meu cavalo relinchou, Dei de rédea para a esquerda, E o meu boi me atropelou!

Nos tentos levava um laço De vinte e cinco rodilhas. P’ra laçar o boi barroso Lá no alto das coxilhas!

Mas o mato carrasquento Onde o boi ’stava embretado, Não quis usar o meu laço P’ra não vê-lo retalhado

E mandei fazer um laço Da casca do jacaré, P’ra laçar meu boi barroso Num redomão pangaré. “E mandei fazer um laço Do couro da jacutinga, P’ra laçar meu boi barroso Lá no passo da restinga.

E mandei fazer um laço Do couro da capivara P’ra laçar meu boi barroso Nem que fosso à meia-cara; “Este era um laço de sorte, Pois quebrou do boi a balda”...