Portuguese poem
Esgotos que não se esgotam
by João Simões Lopes Neto (1865–1916)
Esgotos que não se esgotam, Esgotando a paciência, Ó! goteiras de ciência, Esgotos que não se esgotam! Ó! Follets — da consciência, Ó! botas que não s’embotam, Esgotos que não se esgotam, Esgotando a paciência
Se o Zé Povinho é quem paga (E s’engambela o Povinho): Sou por vós! e a caminho! Se é o Zé Povinho é quem paga Mas se a nobreza d’arminho, Já treme da questão maga, Se o Zé Povinho é quem paga (E s’engambela o Povinho)
Então, srs. cuidado, Qu’a questão é toda espinhos: Tratemo-la com carinhos, Então srs. cuidado!... Que são terrenos maninhos Onde é preciso o arado... Então srs. cuidado. Qu’a questão é toda espinhos.
Uma à Deus — outra ao Diabo. É quase a estopa no prego... Famosa regra, não nego: Uma à Deus — outra ao Diabo, E depois... o futuro é cego... Nem sempre se chega ao cabo. Uma à Deus — outra ao Diabo, É quase a estopa no prego.