Portuguese poem
Amor, que o gesto humano na alma escreve
Amor, que o gesto humano na alma escreve, Vivas faiscas me mostrou hum dia, Donde hum puro crystal se derretia Por entre vivas rosas e alva neve.
A vista, que em si mesma não se atreve, Por se certificar do que alli via, Foi convertida em fonte, que fazia A dor ao soffrimento doce e leve.
Jura Amor, que brandura de vontade Causa o primeiro effeito; o pensamento Endoudece, se cuida que he verdade.
Olhai como Amor gera, em hum momento, De lagrimas de honesta piedade Lagrimas de immortal contentamento.