Portuguese poem
Amor, que em sonhos vãos do pensamento
Amor, que em sonhos vãos do pensamento Paga o zêlo maior de seu cuidado, Em toda condição, em todo estado, Tributario me fez de seu tormento.
Eu sirvo, eu canso; e o grão merecimento De quanto tenho a Amor sacrificado, Nas mãos da ingratidão despedaçado Por prêza vai do eterno esquecimento.
Mas quando muito, em fim, cresça o perigo, A que perpetuamente me condena Amor, que amor não he, mas inimigo;
Tenho hum grande descanso em minha pena, Que a gloria do querer, que tanto sigo, Não póde ser co'os males mais pequena.