Versos Portuguese Luís Vaz de Camões Onde porei meus olhos que não veja

Portuguese poem

Onde porei meus olhos que não veja

by

Listen in the reader

Onde porei meus olhos que não veja A causa de que nasce o meu tormento? A qual parte me irei co'o pensamento, Que para descansar parte me seja?

Ja sei como se engana quem deseja Em vão amor fiel contentamento; E que nos gostos seus, que são de vento, Sempre falta seu bem, seu mal sobeja.

Mas inda, sôbre o claro desengano, Assi me traz esta alma sobjugada, Que delle está pendendo o meu desejo.

E vou de dia em dia, de anno em ano, Apoz hum não sei que, apoz hum nada, Que quanto mais me chego, menos vejo.