Portuguese poem
Onde porei meus olhos que não veja
Onde porei meus olhos que não veja A causa de que nasce o meu tormento? A qual parte me irei co'o pensamento, Que para descansar parte me seja?
Ja sei como se engana quem deseja Em vão amor fiel contentamento; E que nos gostos seus, que são de vento, Sempre falta seu bem, seu mal sobeja.
Mas inda, sôbre o claro desengano, Assi me traz esta alma sobjugada, Que delle está pendendo o meu desejo.
E vou de dia em dia, de anno em ano, Apoz hum não sei que, apoz hum nada, Que quanto mais me chego, menos vejo.