Portuguese poem
Ondados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzente, Que agora da mão bella recolhidos, Agora sôbre as rosas esparzidos Fazeis que a sua graça se accrescente;
Olhos, que vos moveis tão docemente, Em mil divinos raios incendidos, Se de cá me levais a alma e sentidos, Que fôra, se eu de vós não fôra ausente?
Honesto riso, que entre a mór fineza De perlas e coraes nasce e apparece; Oh quem seus doces ecos ja lhe ouvisse!
Se imaginando só tanta belleza, De si com nova gloria a alma se esquece, Que será quando a vir? Ah quem a visse!