Portuguese poem
Olhos fermosos, em quem quis Natura
Olhos fermosos, em quem quis Natura mostrar do seu poder altos sinais, se quiserdes saber quanto possais, vede-me a mim, que sou vossa feitura.
Pintada em mim se vê vossa figura; no que eu padeço retratada estais; que, se eu passo tormentos desiguais, muito mais pode vossa fermosura.
De mim não quero mais que o meu desejo: ser vosso; e só de ser vosso me arreio, por que o vosso penhor em mim se assele.
Não me lembro de mim, quando vos vejo, nem do mundo; e não erro, porque creio que, em lembrar-me de vós, cumpro com ele.