Portuguese poem
Oh como se me alonga de anno em ano
Oh como se me alonga de anno em ano A peregrinação cansada minha! Como se encurta, e como ao fim caminha Este meu breve e vão discurso humano!
Mingoando a idade vai, crescendo o dano; Perdeo-se-me hum remedio, que inda tinha: Se por experiencia se adivinha, Qualquer grande esperança he grande engano.
Corro apoz este bem que não se alcança; No meio do caminho me fallece; Mil vezes caio, e perco a confiança.
Quando elle foge, eu tardo; e na tardança, Se os olhos ergo a ver se inda apparece, Da vista se me perde, e da esperança.