Portuguese poem
O fogo que na branda cera ardia
O fogo que na branda cera ardia, Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo, Se accendeo de outro fogo do desejo Por alcançar a luz que vence o dia.
Como de dous ardores se encendia, Da grande impaciencia fez despejo, E remettendo com furor sobejo, Vos foi beijar na parte onde se via.
Ditosa aquella flamma que se atreve A apagar seus adores e tormentos Na vista a quem o sol temores deve!
Namorão-se, Senhora, os Elementos De vós, e queima o fogo aquella neve Que queima corações e pensamentos.