Portuguese poem
Que me quereis perpétuas saudades?
Que me quereis perpétuas saudades? Com qu'esperanças inda me enganais? O tempo, que se vai, não torna mais, E se torna, não tornão as idades.
Razão he ja, ó annos, que vos vades, Porque estes tão ligeiros que passais, Nem todos para hum gôsto sois iguais, Nem sempre são conformes as vontades.
Aquillo a que ja quiz he tão mudado, Que quasi he outra cousa; porque os dias Tẽe o primeiro gôsto ja damnado.
Esperanças de novas alegrias, Não m'as deixa a Fortuna e o tempo irado, Que do contentamento são espias.