Portuguese poem
Que pode já fazer minha ventura
Que pode já fazer minha ventura que seja para meu contentamento? Ou como fazer devo fundamento de cousa que o não tem, nem é segura?
Que pena pode ser tão certa e dura que possa ser maior que meu tormento? Ou como receará meu pensamento os males, se com eles mais se apura?
Como quem se costuma de pequeno com peçonha criar por mão ciente, da qual o uso já o tem seguro;
assi de acostumado co veneno, o uso de sofrer meu mal presente me faz não sentir já nada o futuro.