Portuguese poem
Quem pode livre ser, gentil Senhora
Quem póde livre ser, gentil Senhora, Vendo-vos com juizo socegado, Se o menino, que de olhos he privado, Nas meninas dos vossos olhos mora?
Alli manda, alli reina, alli namora, Alli vive das gentes venerado; Que o vivo lume, e o rosto delicado, Imagens são adonde Amor se adora.
Quem vê que em branca neve nascem rosas Que crespos fios de ouro vão cercando, Se por entre esta luz a vista passa,
Raios de ouro verá, que as duvidosas Almas estão no peito traspassando, Assi como hum crystal o sol traspassa.