Portuguese poem
Quem vos levou de mi, saudoso estado
Quem vos levou de mi, saudoso estado, que tanta sem-razão comigo usastes? Quem foi? Por quem tão presto me negastes, esquecido de todo o bem passado?
Trocastes-me um descanso em um cuidado tão duro, tão cruel, qual me ordenastes; a fé, que tínheis dado, me negastes, quando mais nela estava confiado.
Vivia sem receio deste mal; Fortuna, que tem tudo a sua mercê, amor com desamor me revolveu.
Bem sei que neste caso nada val, que, quem naceu chorando, justo é que pague com chorar o que perdeu.