Portuguese poem
Vós, que de olhos suaves e serenos
Vós, que de olhos suaves e serenos, Com justa causa a vida captivais, E que os outros cuidados condemnais Por indevidos, baixos e pequenos;
Se de Amor os domesticos venenos Nunca provastes, quero que sintais Que he tanto mais o amor despois que amais, Quanto são mais as causas de ser menos.
E não presuma alguem que algum defeito, Quando na cousa amada se apresenta, Possa diminuir o amor perfeito:
Antes o dobra mais; e se atormenta, Pouco a pouco desculpa o brando peito; Que Amor com seus contrarios se accrescenta.