Versos Portuguese Manuel Botelho de Oliveira Pintura de uma dama conserveira

Portuguese poem

Pintura de uma dama conserveira

by (1636–1711)

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No doce ofício Amarilis Doce amor causando em mim, Seja a pintura de doces; Doce aveia corra aqui.

Capela de ovos se adverte A cabeça em seu matiz, Fios de ovos os seus fios, Capela a cabeça vi.

A testa, que docemente Ostenta brancuras mil, Sendo manjar de Cupido, Manjar branco a presumi.

Os olhos, que são de luzes Primogênitos gentis, São dois morgados de amor, Donde alimentos pedi.

Fermosamente aguilenho (Ai que nele me perdi!) Bem feita lasca de alcorça Parece o branco nariz.

Maçapão rosado vejo Em seu rosto de carmim, Nas maçãs o maçapão, No rosto o rosado diz.

Entre os séculos da boca, (Purpúrea inveja de Abril) Em conserva de mil gostos Partidas ginjas comi.

Os brancos dentes, que exalam Melhor cheiro que âmbar-gris, Parecem brancas pastilhas Em bolsinhas carmesins.

Com torneados candores (Deixemos velhos marfins) Toda feita diagargante Vejo a garganta gentil.

Os sempre cândidos peitos, Que escondem leite nutriz, Se não são bolas de neve, São bolos de leite, sim.

As mãos em palmas, e dedos, Se em bolos falo, adverti. Entre dois bolos de açúcar Dez pedaços de alfenim.

Perdoai, Fábio, dizia, Que no retrato, que fiz, Fui Poeta de água doce Quando no Pindo bebi.