Portuguese poem
Ida
by Olavo Bilac (1865–1918)
Para a porta do céu, pálida e bela, Ida as asas levanta e as nuvens corta. Correm os anjos: e a criança morta Foge dos anjos namorados dela.
Longe do amor materno o céu que importa? O pranto os olhos límpidos lhe estrela... Sob as rosas de neve da capela, Ida soluça, vendo abrir-se a porta.
Quem lhe dera outra vez o escuro canto Da escura terra, onde, a sangrar, sozinho, Um coração de mãe desfaz-se em pranto!
Cerra-se a porta: os anjos todos voam. Como fica distante aquele ninho, Que as mães adoram... mas amaldiçoam!