Versos Portuguese Olavo Bilac Gioconda

Portuguese poem

Gioconda

by (1865–1918)

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Deu-te o grande Leonardo ao sorriso a ironia, Insídia, e eterno ardil, na luminosa teia: Tal, a Belerofonte a Quimera sorria, E a Esfinge de Gizé sorri na adusta areia...

A cilada do amor, o embuste da utopia, O desejo, que abrasa, e a esperança, que enleia, Chispam na tua boca impenetrável, fria... Seduzes, através dos séculos, sereia!

Esse leve clarão no teu lábio, indeciso, É a dobrez ancestral, a malícia primeva Da Ísis, da pecadora altriz do Paraíso:

Porque, para extrair as gerações da treva, A serpe, e a Adão, e a Deus, com o teu mesmo sorriso, Sorria, astuta e forte, a mãe das raças, Eva.