Portuguese poem
Frutidoro
by Olavo Bilac (1865–1918)
Fruto, depois de ser semente humilde e flor, Na alta árvore nutriz da Vida amadureço. Gozei, sofri, - vivi! Tenho no mesmo apreço O que o gozo me deu e o que me deu a dor.
Venha o inverno, depois do outono benfeitor! Feliz porque nasci, feliz porque envelheço, Hei de ter no meu fim a glória do começo: Não me verão chorar no dia em que me for.
Não me amedrontas, Morte! o teu apelo escuto, Conto sem mágoa os sóis que me acercam de ti, E sem tremer à porta ouço o teu passo astuto.
Leva-me! Após a luta, o sono me sorri: Cairei, beijando o galho em que fui flor e fruto, Bendizendo a sazão em que amadureci!