Versos Portuguese Olavo Bilac Estuário

Portuguese poem

Estuário

by (1865–1918)

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Viverei! Nos meus dias descontentes, Não sofro só por mim... Sofro, a sangrar, Todo o infinito universal pesar, A tristeza das cousas e dos entes.

Alheios prantos, em cachões ardentes, Vêm ao meu coração e ao meu olhar: - Tal, num estuário imenso, acolhe o mar Todas as águas vivas das vertentes.

Morre o infeliz, que unicamente encerra A própria dor, estrangulada em si... Mas vive a Vida que em meus versos erra;

Vive o consolo que deixei aqui; Vive a piedade que espalhei na terra... Assim, não morrerei, porque sofri!