Portuguese poem
Fogo-Fátuo
by Olavo Bilac (1865–1918)
Cabelos brancos! dai-me, enfim, a calma A esta tortura de homem e de artista: Desdém pelo que encerra a minha palma, E ambição pelo mais que não exista;
Esta febre, que o espírito me encalma E logo me enregela; esta conquista De idéias, ao nascer, morrendo na alma, De mundos, ao raiar, murchando à vista:
Esta melancolia sem remédio, Saudade sem razão, louca esperança Ardendo em choros e findando em tédio;
Esta ansiedade absurda, esta corrida Para fugir o que o meu sonho alcança, Para querer o que não há na vida!