Versos Portuguese Olavo Bilac Dormindo

Portuguese poem

Dormindo

by (1865–1918)

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De qual de vós desceu para o exílio do mundo A alma desta mulher, astros do céu profundo? Dorme talvez agora... Alvíssimas, serenas, Cruzam-se numa prece as suas mãos pequenas. Para a respiração suavíssima lhe ouvir, A noite se debruça... E, a oscilar e a fulgir, Brande o gládio de luz, que a escuridão recorta, Um arcanjo, de pé, guardando a sua porta. Versos! podeis voar em torno desse leito, E pairar sobre o alvor virginal de seu peito, Aves, tontas de luz, sobre um fresco pomar... Dorme... Rimas febris, podeis febris voar... Como ela, num livor de névoas misteriosas, Dorme o céu, campo azul semeado de rosas; E dois anjos do céu, alvos e pequeninos, Vêm dormir nos dois céus dos seus olhos divinos... Dorme... Estrelas, velai, inundando-a de luz! Caravana, que Deus pelo espaço conduz! Todo o vosso dano nesta pequena alcova Sobre ela, como um nimbo esplêndido, se mova: E, a sorrir e a sonhar, sua leve cabeça Como a da Virgem Mãe repouse e resplandeça!