Portuguese poem
Diamante Negro
by Olavo Bilac (1865–1918)
Vi-te uma vez, e estremeci de medo... Havia susto no ar, quando passavas: Vida morta enterrada num segredo, Letárgico vulcão de ignotas lavas.
Ias como quem vai para um degredo, De invisíveis grilhões as mãos escravas, A marcha dúbia, o olhar turvado e quedo No roxo abismo das olheiras cavas...
Aonde ias? aonde vais? Foge o teu vulto; Mas fica o assombro do teu passo errante, E fica o sopro desse inferno oculto,
O horrível fogo que contigo levas, Incompreendido mal, negro diamante, Sol sinistro e abafado ardendo em trevas.