Portuguese poem
Amor é um arder, que se não sente
by Paulino António Cabral (1719–1789)
É febre, que no peito faz secura; É mal, que as forças tira de repente.
É fogo, que consome ocultamente; É dor, que mortifica a Criatura; É ânsia a mais cruel, e a mais impura; É frágoa, que devora o fogo ardente.
É um triste penar entre lamentos, É um não acabar sempre penando; É um andar metido em mil tormentos.
É suspiros lançar de quando, em quando; É quem me causa eternos sentimentos: É quem me mata, e vida me está dando.