Portuguese poem
Belleza E Morte
by Raimundo António de Bulhão Pato (1828–1912)
Quando Deus á terra envia Um anjo dos seus, é breve A vida que lhe confia. .........................
Como a flor branca de neve Que ao primeiro alvor do dia No prado desabroxou, Assim ella veiu ao mundo, E tão rapida passou, Que d'este rumor profundo Nem um som, nem um gemido Por esse anjo foi ouvido! Nasceu, e sorrindo amou!
Quem ao vel-a tão ditosa Tão feliz por ser amada, E tão feliz por amar, Bella, fragrante, viçosa, Cheia de vida no olhar, De luz na face encantada; Quem diria que esse amor Seria a chamma fatal, Que a devia emfim matar!?
Pobre florinha do val, Da aurora ao primeiro alvor Nasceu, e sorrindo, amou, Mas com a tarde... expirou!
Junho de 1857.