Portuguese poem
Tristeza de Momo
by Raimundo Correia (1859–1911)
Pela primeira vez, ímpias risadas Susta em pranto o deus da zombaria; Chora; e vingam-se dele, nesse dia, Os silvanos e as ninfas ultrajadas;
Trovejam bocas mil escancaradas, Rindo; arrombam-se os diques da alegria; E estoira descomposta vozeria Por toda a selva, e apupos e pedradas...
Fauno, indigita; a Náiade o caçoa; Sátiros vis, da mais indigna laia, Zombam. Não há quem dele se condoa!
E Eco propaga a formidável vaia, Que além por fundos boqueirões reboa E, como um largo mar, rola e se espraia...