Versos Portuguese Ricardo Reis Cuidas, ínvio, que cumpres, apertando

Portuguese poem

Cuidas, ínvio, que cumpres, apertando

by (1888–1935)

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Cuidas, ínvio, que cumpres, apertando Teus infecundos, trabalhosos dias Em feixes de hirta lenha, Sem ilusão a vida. A tua lenha é só peso que levas Para onde não tens fogo que te aqueça, Nem sofrem peso aos ombros As sombras que seremos. Para folgar não folgas; e, se legas, Antes legues o exemplo, que riquezas, De como a vida basta Curta, nem também dura. Pouco usamos do pouco que mal temos. A obra cansa, o ouro não é nosso. De nós a mesma fama Ri-se, que a não veremos Quando, acabados pelas parcas, formos, Vultos solenes, de repente antigos, E cada vez mais sombras, Ao encontro fatal — O barco escuro no soturno rio, E os nove abraços da frieza stígia E o regaço insaciável Da pátria de Plutão.