Portuguese poem
Frutos, dão-os as árvores que vivem
by Ricardo Reis (1888–1935)
Frutos, dão-os as árvores que vivem, Não a iludida mente, que só se orna Das flores lívidas Do íntimo abismo Quantos reinos nas mentes e nas coisas Te não talhaste imaginário! Tantos Sem ter perdeste, Sonhos cidades! Ah, não consegues contra o adverso muito Criar mais que propósitos frustrados! Abdica e sê Rei de ti mesmo.