Portuguese poem
O ritmo antigo que há em pés descalços
by Ricardo Reis (1888–1935)
O ritmo antigo que há em pés descalços, Esse ritmo das ninfas repetido, Quando sob o arvoredo Batem o som da dança, Vós na alva praia relembrai, fazendo, Que scura a spuma deixa; vós, infantes, Que inda não tendes cura De ter cura, reponde Ruidosa a roda, enquanto arqueia Apolo, Como um ramo alto, a curva azul que doura, E a perene maré Flui, enchente ou vazante.