Versos Portuguese Sílvio Romero Xácara de Flores-Bela

Portuguese poem

Xácara de Flores-Bela

by (1851–1914)

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Mouro, se fores às guerras Trazei-me uma cativa, Que não seja das mais nobres, Nem também da vilania; Seja das escolhidas Que em Castelhana havia.

Saiu o conde Flores Fazer essa romaria: A condessa, como nobre, Foi em sua companhia. Matam o conde Flores, Cativaram Lixandria, E trouxeram de presente À rainha da Turquia.

"— Vem cá, vem cá, minha moura, Aqui está vossa cativa; Já vou entregar as chaves, As chaves da minha cozinha. "Entregai, entregai, senhora, Que a desgraça foi só minha; Ainda ontem ser senhora, Hoje escrava de cozinha.

Ao cabo de nove meses Tiveram os filhos num dia: A moura teve um filho, A cativa uma filhinha. Levantou-se a moura Com três dias de parida, Foi à cama da escrava: —Como estais, escrava minha? "Como hei de estar, senhora? Sempre na vossa cozinha. Foi olhando para a criança, Foi achando muito linda:

—Se estivesses em tua terra Que nome tu botarias? "Botaria Flores-Bela, Como uma mana que tinha, Que os mouros carregaram, Sendo ela pequenina.

—Se tu a visses hoje Tu a conhecerias? "Pelo sinal que tinha Só assim a conhecia;

—Que tinha um lírio roxo Que todo o peito cobria! "Pelo sinal que me dais, Bem parece mana minha.

—Vem cá, vem cá, minha moura. Que te diz tua cativa? "Eu já estou bem agastada, E já me vou anojar. Tu mandaste lá buscar, O teu cunhado matar.

—Se eu matei meu cunhado, Outro melhor te hei de dar. —"Farei tua irmã senhora Da minha monarquia! "Eu não quero ser senhora Da tua monarquia, Quero ir para a minha terra Onde contente assistia.

"—Aprontai, aprontai a nau, Mais depressa em demasia, Para levar Lixandria Ela e sua filhinha. "Adeus, adeus, Flores-Bela! Vai-te embora Lixandria.

E dai lá muitas lembranças À nossa parentaria; Que eu fico como moura Entre tanta mouraria.